Hoje em dia as empresas ainda têm certo receio de projetarem investimentos destinados à área de responsabilidade social, pois ainda tem como forte paradigma que este papel deveria ser desempenhado pelo Estado, e realmente parte deste pensamento é verdadeiro, o Estado deveria destinar todos os esforços para “manutenir” ações que favoreçam o bem estar social da sociedade, sobretudo o Estado por decorrência da acentuada proliferação do capitalismo na maioria dos países do mundo, reduziu significativamente a sua atuação.
Numa republica socialista ou mesmo comunista o papel do Estado é sem sobra de dúvidas, bem mais atuante derivando seus recursos para setores da sociedade, que se mostram mais necessários. Um exemplo é o sistema educacional e de saúde de Cuba, a velha ilha do “pseudo-ditador” Fidel, como uma representação fiel do comunismo onde a atuação do Estado no investimento direto em ações de saúde e educação é notória, e o reflexo disto, pode-se observar no numero de cubanos com nível superior e na qualidade do atendimento e dos tratamentos no sistema de saúde.
Para o nosso cenário a situação é bem diferente, o governo apesar de criar uma imensidão de impostos e se manter no topo, entre as maiores cargas tributárias da América Latina, estes impostos se perdem nos canais orçamentários e políticos do país. Faltam planejamento, e priorização das ações sociais mais importantes. O fato de ações e investimentos de infra-estrutura muitas vezes não refletirem em votos, faz com que muitos políticos cultivem o tipo de idéia que não vale a pena investir na prevenção, basta atuar de forma corretiva. Não se pergunta o que se tem gasto com programas sociais de distribuição de renda como os bolsa “alguma coisa” do Governo Federal, é a pura distribuição de dinheiro para a população, para que ele reaja ao descaso da ausência de políticas públicas do Estado.
E as empresas porque elas não investem? Falta uma atuação forte do Estado, uma parceria com elas, para este tipo de investimento, isenções de impostos para quem investir em programas sociais, ou mesmo a criação de PPP (parcerias público-privadas) que agissem dentro das mais fortes mazelas que acontecem hoje no país, o descaso social visto de forma grandiosa nas periferias das grandes cidades. Volta e meia o Governo tenta resgatar novos velhos impostos, como a extinta CPMF, mas quantos se perguntam como era a saúde antes da CPMF e como ficou após anos de sua existência. De fato, deveriam ter apresentado uma forte melhora, mas não é isto que foi visto. O colapso do sistema único de saúde gerou uma guerra entre empresas de planos de saúde, que hoje fazem representar parte do papel do Estado da maneira mais onerosa possível.
Muitos têm tentado ao longo do tempo criar, elaborar programas de cunho social, que possa vitalizar a vontade da empresa em investir na área social, mas sempre encontramos barreiras, pois o mundo globalizado impôs uma séria de condições para que os custos dos produtos sejam cada vez mais baixos e deste modo, as empresas se instalam onde for mais conveniente e competitivo para estas.
O que normalmente tem sido praticado, para garantir à qualidade dos produtos produzidos em pólos industriais é a criação de regras que praticamente obrigam as empresas a serem certificadas na ISO 9001, mas por que não sugerir que as empresas invistam também em responsabilidade social de suas circunvizinhanças. Existe uma seria de ações que poderiam ser tomadas, como a criação de cooperativas para reaproveitamento dos resíduos destas empresas, por exemplo, mas ao invés disto ignoram o problema social existente, e o pior, transformam o meio ambientes da circunvizinhança, normalmente, com poluição sonora, ambiental, degradação do ambiente e nada dão em troca para a comunidade.
O Estado deve retomar o seu papel e quando não for possível, retomar investimentos no bem estar social, incentivar as organizações a investirem fortemente em programas de responsabilidade social, mas sempre atuando com contrapartida, pois não há como reduzir os custos industriais e ainda investir na sociedade. Estas ações tomadas de maneira conjunta podem reduzir as desigualdades sociais do nosso país.
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