Hoje em dia as organizações estão tentando atuar de várias formas para conter os estragos causados pelos afastamentos médicos e pela recente explosão no surgimento distúrbios e de doenças no sistema músculo-esquelético. Esta avalanche de problemas não surgiu por acaso, para que haja um bom entendimento é preciso observar no passado recente, e nos permitir fazer o seguinte questionamento: “O quanto e como minha empresa investiu no conforto e na adequação do trabalho para que não houvesse problemas para os colaboradores?”. Muito tempo passou, onde a principal preocupação foram os estudos de tempos e métodos para encontrar uma maximização dos resultados da produção, de modo a tornar mais efetivos os meios de produção. E neste momento, não se analisaram criticamente quais seriam os possíveis impactos que esta maximização poderia causar para a força de produção.
Outro ponto que realmente auxiliou no aumento desta problemática foi o caráter muito operacional e pouco analítico, na atuação da equipe da área de segurança e saúde ocupacional. É válido deixar claro a importância do trabalho operacional, pois ele é que fundamenta e faz originar todos os dados que necessitamos para compor o conceito analítico de qualquer avaliação, sobretudo o trabalho dos SESMT’s vem realizando, muitas vezes não explora o lado analítico das situações. Isto porque, por muito tempo os SESMT’s foram treinados à serem muito práticos e não perder tempo, isto é óbvio, ninguém quer perder tempo, algo muito parecido com o fenômeno que acontecia na década de 90 com a construção civil, onde as construtoras e projetistas tentavam emplacar seus lançamentos e condomínios para lançamento das vendas e entrega no menor período de tempo possível, mais isto gerava grandes prejuízos no decorrer do tempo, pela falta completa de planejamento e de consolidação de projetos, hoje em dia se prefere realizar um planejamento, um gerenciamento de projeto onde a consolidação de todos os projetos convergem para se evitar resultados indesejados ou prejuízos desnecessários.
Mais quais são as ferramentas adotadas nas empresas onde a gestão da ergonomia é encarada como um sucesso? Imagina-se que, devem existir softwares caros, investimentos tecnológicos, automação, equipe de profissionais altamente qualificados e bem remunerada, etc. Bom, tudo isto sem planejamento, não funciona e não adianta!Deste modo, o planejamento passa a ser a ferramenta principal na gestão da ergonomia. É preciso estimular as áreas de segurança e saúde a pensarem de forma mais analítica possível, de tal modo que, avaliamos de maneira conceitual e analítica os possíveis aspectos causados no contexto do meio ambiente por decorrência deste fenômeno. Temos que avaliar também os prós e contras da evolução dos métodos e meios de produção, e não olhar de forma isolada, pois o problema não está em apenas um item, tudo está consolidado num grande emaranhado de situações críticas, que devem ser encaradas como uma problemática única, que apesar de complicada pode existir solução quando trabalhado de forma adequada.
Quais são as sete principais falhas que as equipes de segurança e saúde cometem ao executarem a gestão da ergonomia:
1 – Não identificar as vulnerabilidades da área, quais os pontos que a equipe precisa para melhor atender a problemática maneira pró-ativa. Por exemplo, posso ter uma grande equipe de segurança e saúde que apresente uma excelente capacidade operacional, sobretudo falta um elo forte para a ênfase analítica, no caso do exemplo em questão a vulnerabilidade da área está na composição inadequada da área.
2 – Trabalhar de forma isolada. As empresas esquecem que os problemas não são únicos e trabalham de forma isolada, com medidas administrativas ou mesmo ações paliativas. Por exemplo, trabalham focando a situação de revezamento, sem levar consideração aos aspectos que geraram a necessidade do próprio revezamento, ou mesmo sem priorizar o que os meios de demandas te fornecem como queixas ergonômicas, estudos da forma do absenteísmo, quantificação e qualificação do risco ergonômico, etc.
3 – Não manterem registros das melhorias implantadas nos processos. Estas melhorias são uma base de informação rica, que lhe permitem mostrar o tamanho do esforço da organização diante do problema enfrentado. Por exemplo, estas informações podem ser muito úteis quando ocorre um pericia na empresa, ou mesmo uma visita ou auditoria do MTE ou reclamação do MP.
4 – Falta de planejamento para as ações tomadas com relação à gestão da ergonomia: A ergonomia deve ser encarada como um projeto de construção, que quando não bem executado em suas bases, corre o risco de ruir e cair com o tempo. Deste modo, podemos observar que algumas ações são elaboradas, mas sem o menor lastro para sustentação. Por exemplo, compor grupos ou comitês de ergonomia, onde o mesmo não seja treinado para o propósito ou mesmo, que os componentes não entendam o propósito deste grupo.
5 – Desconhecimento da problemática por parte da alta gestão da empresa. A gerência geral ou diretoria devem ter, conhecimento dos problemas e dos possíveis impactos causados pela falta de gestão da ergonomia em sua empresa, de modo a apoiar todas as ações importantes na solução ou no controle dos problemas decorrentes. Da mesma forma que, para a empresa ser certificada em uma ISO, precisa do suporte de todos os departamentos da empresa, para manter uma boa gestão da ergonomia devem-se manter todos os departamentos imbuídos num único propósito que deve claro e factível.
6 – Falta de controle e evolução da situação enfrentada. A organização deve criar indicadores para balizar o que se está sendo feito, para certificar-se se existe evolução ou não. Está ação permiti direcionar o foco da atuação de maneira a tornar o trabalho da equipe mais objetivo possível.
7 – Ausência de ouvidoria, ou canal de sugestão por parte dos colaboradores. Apesar de muitos profissionais necessitarem de boa formação para ajustar processos e criar condição de compor um conceito analítico de atividades de trabalho. Muitas vezes as soluções podem estar muito próximas do nosso alcance, e isto pode ser favorecido por relacionamento direto com os colaboradores, criação de programas de sugestão, entrevistas, onde haja o contato direto com o executante das atividades, que é sem dúvidas um conhecedor do processo.
E como a gestão da ergonomia deve acontecer?
Deve ocorrer como em um processo de certificação, tem que haver todo um planejamento, orientação, composição de documentos e procedimentos de controle, antes do inicio de qualquer ação operacional. Seguem alguns pontos que devem existir para o sucesso da gestão de ergonomia funcionar numa organização.
Equipe de segurança e saúde ocupacional bem montada, equilibrada e ciente de seu propósito na organização;
- Determinação de objetivos dentro do gerenciamento ergonômico;
- Treinamento sobre gestão da ergonomia para as pessoas chaves, que estarão atuando dentro da gestão ergonômica;
- Montar um fluxo de todas as ações a serem desenvolvidas no contexto ergonômico;
- Elaborar um bom mapeamento dos aspectos ergonômicos das atividades realizadas na empresa;
- Elaborar um trabalho de estudo aprofundado sobre os processos de trabalho;
- Consolidar todas as ações de contensão, com as ações preventivas no contexto ergonômico;
- Elaborar livro de registros de todas as melhorias ergonômicas realizadas na organização;
- Criação de indicadores relacionados ao gerenciamento ergonômico e acompanhamento periódico;
- Acompanhamento dos processos de produção e dos colaboradores em recuperação, de retorno ou com algum tipo de limitação;
- Elaboração de “time” para discutir e evoluir com os assuntos pertinentes a ergonomia;
- Incluir métricas de ergonomia nos programas de participação dos resultados da empresa;
- Criação de reuniões com a alta administração para discutir o gerenciamento ergonômico.
Hoje em dia são várias as ações de ergonomia, que podem ser desenvolvidas em uma organização, sobretudo, para sua plena eficiência as mesmas devem interagir entre si. Conforme o diagrama abaixo:
O primordial na gestão da ergonomia na empresa é: sempre manter a mente aberta para o novo, cumprindo os objetivos do programa de ergonomia e mantendo-os atualizados com os propósitos da organização. Desta forma, a empresa certamente atingirá as metas que ela identificar como convenientes.
Sivonildo Martins.
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